
Quando alguém me diz “já troquei o óleo do câmbio”, a minha próxima pergunta é sempre: como foi feita a troca? Porque existe uma diferença grande entre as duas formas.
Troca parcial (pelo bujão)
É o jeito mais simples: solta o bujão do cárter, deixa escorrer, recoloca e completa. O problema é que só sai o fluido que está no cárter. Uma boa parte continua dentro do câmbio:
- no conversor de torque, que guarda bastante fluido;
- no corpo de válvulas e nos canais internos;
- nas linhas e no radiador do câmbio.
Na prática, dependendo do câmbio, muitas vezes sai bem menos da metade do fluido. O resto, velho, se mistura com o novo. O fluido fica “menos pior”, mas não fica novo.

Troca completa (por máquina)
A máquina é ligada no circuito do câmbio. Com o motor funcionando, o câmbio bombeia o fluido velho para fora enquanto a máquina coloca o novo na mesma medida. O fluido circula pelo câmbio inteiro, incluindo o conversor de torque, até sair limpo.
É assim que eu faço. Depois, confiro o nível na temperatura certa e, quando o câmbio pede, faço o reaprendizado pelo scanner.

E o filtro?
Nas duas formas, vale olhar o filtro. Se ele é trocável, eu troco. Se é lavável, eu lavo. Se é interno e não sai sem abrir o câmbio, faço a higienização com Motul Transmission Cleaner: a máquina circula o produto com o motor ligado por cerca de 30 minutos e a sujeira fica presa nos dois filtros dela.
Troca parcial nunca serve?
Serve em situações específicas, por exemplo quando o câmbio não permite ligar a máquina ou como parte de um procedimento com várias trocas seguidas. Mas como serviço de manutenção, para renovar o fluido de verdade, a completa é a que entrega o resultado.
O valor da minha mão de obra começa em R$ 500 e o total depende do carro, do câmbio e do fluido. Antes, faço a leitura com scanner e a avaliação do óleo, de graça.